
Estávamos eu e a Pan indo almoçar no
shopping. A lotação estava demorando para aparecer. Eu e a Pan ouvimos um choro de um
cachorro, olhamos para o chão e vimos uma
criança com seus pais e um cão pequeno e
branquinho a chorar:
caim,
caim...
Perguntei ao menino
se aquele cão era seu, os pais do
guri responderam que não, que o cão era da rua. Nem parecia, porque parecia limpo e sem sarnas ou algo do
gênero. E o cão continuava a implorar pela atenção humana com seus choros.
A Pan, já sensibilizada, subiu até nosso apartamento e pegou leite para o coitado do cachorro que chorava feito uma
criança. Deixamos ele se deliciando de leite, enquanto a gente voltava, silenciosamente, até a parada. Poucos minutos depois lá estava o cão abandonado. Chorando ao nosso lado novamente. Era apenas um bicho irracional, mas parecia saber o que
chatagem emocional significava.
Uma mulher da parada disse que talvez naquela casa ali perto, onde funciona um restaurante podiam querer ficar com o bicho. Peguei a cadela no colo ( sim, era uma cadelinha, pude perceber ao pegá-la ) e fui até o restaurante, que estava fechado. Bati e ninguém apareceu. Resolvi deixar a cadela ali na porta. Talvez os donos quisessem ficar com ela. Era tão
meiga e
bonitinha, nem parecia vira-lata de rua.
30 segundos depois lá estava a cadela a chorar ao lado de mim e da Pan, que não tínhamos pegado a lotação por causa daquela pequena praga! Lembrei de uma veterinária que doavam cães de rua e resolvi levar a cadelinha até lá. A Pan ficou me esperando no
shopping para almoçar. E lá fui eu na minha boa
ação do dia. No
ônibus, fiquei sentada, quase sem respirar e tentando esconder a cadela. Nem passei pela roleta, senão o cobrador poderia reclamar, com razão ainda por cima. Um velhinho olhou para
Meg e sorriu. Eu nem dei trela, quanto menos barulho eu e a cadela fizesse, melhor para ambas.
Cheguei na
veterinária e uma senhora ficou encantada com a
Meg ( a esta altura até nome eu já tinha dado a ela). Eu perguntei se a
velhinha não queria ficar com a cadela. Não. A veterinária. Muito menos.
Saí pela rua e perguntei para um casal, que ficou em dúvida, mas não levou. Garanto se fosse um
podlle ia ser mais fácil.
A Pan me liga: "Tu não vem almoçar"? Aviso que não quiseram ficar com a
Meg e que eu ia dar um jeito. Lembro que o tio
Carlinhos mora ali perto. Tio
Carlinhos está de mudança não pode ficar com a cadela, mas disse que no dia seguinte teria
brique, onde doam muitos animais. Peço que ele fique com ela até eu voltar do almoço. Feito!
Chego no
shopping, tento convencer a Pan de ficarmos com a
Meg, fico sem
compainha para o almoço depois da tentativa e de breve
discussões.
Pego a
Meg no tio
Carlinhos e a levo banhada (com
xampu elséve) para a casa da amiga Lili. À noite eu teria uma formatura. Lili cuidaria da cadela até o outro dia de manhã.
No outro dia Lili liga.
Meg havia cagado todo o
apt dela. Sim... cagado por tudo mesmo! Ela e seu namorado não conseguiram dormir direito, pois
Meg tinha chorado a noite inteira. Depois deste telefonema, que foi quase um apelo, fui correndo até a casa da Lili.
Lili e Wagner falam que a
Meg é muito chata, que ela chora demais, que deve estar doente ou algo assim. Se eu tivesse visto o
cocô dela, que Lili disse que era molenga e demasiadamente fedido, talvez eu não gostasse tanto da
Meg também...
Chego noutra veterinária, onde estava ocorrendo doações de vira-latas. Penso: "Pronto, agora sim achei o lugar da
Meg". A mulher diz que a cadela precisa fazer quarentena a base de anti-vermes e vacinas para que ela possa misturar-se aos outros cães. 40 dias com a
Meg lá em quase não ia dar, definitivamente. Era ela ou a Pan.
Vou até o
brique, já desolada.
Meg não podia ir para a minha casa. Minha expressão era de cadela abandonada, como a da
Meg.
Um pessoal da redenção adorou
Meg. Uma vendedora de algodão doce quer ficaria com ela. Mas não pode, pois trabalha o dia inteiro e mora em
JK.
Meg caminha pela redenção dando o ar de sua graça, um homem convida ela com seu cachorro-quente. Ela passeia a gente fica olhando ela dar seu
show.
Depois de mais ou menos uma hora, uma mulher vem falar comigo sobre a
Meg, a pega no colo e diz que vai ficar com ela pela noite. Na segunda, a levará numa veterinária no Moinhos de Vento, para doarem a pobre
Meg.
A mulher que ficou com
Meg me dá seu telefone. Ligo para ela no dia seguinte. Ela disse que deu vacinas e os devidos remédios para
Meg. E que deixara a cadelinha na veterinária. Diz que
Meg chorava e reagira
bravamente enquanto era colocada na jaula.
Não fui vê-la na veterinária, o que os olhos não vêem o coração não sente , já dizia o ditado.