sexta-feira, 22 de maio de 2009

Show em Uruguaiana

Há um tempinho o jornal uruguaianense Tribuna vem publicando crônicas minhas, como estas duas últimas do blog.

No dia 30 de maio vai rolar um show promovido pelo jornal e o Clube Comercial, aproveitem!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Stand By


Nem tente chegar perto de mim com aqueles celulares com acesso à internet, blue tooth e vídeo, eu simplesmente sou avessa à tecnologia. Prefiro ganhar um enfeite feito por um artesão a um moderno I-Phone. Não posso negar que a tecnologia veio para nos ajudar e tornar nossas vidas mais práticas. O que se seria de mim ao visitar minha tia no 14º andar sem o elevador, ou ainda, pedir ajuda ao meu pai porque meu carro estragou no meio da estrada ao anoitecer sem celular? Não dá para negar os benefícios e a comodidade que a tecnologia nos proporciona.

No entanto, recordo que há séculos atrás, quando não existia nada disso, nem mesmo o tradicional telefone e a simples televisão, o homem era mais desenvolvido física e intelectualmente. Porque não nascem mais Eisteins, Galileus, Leonardos da Vinci? Porque não se constroem mais pirâmides do Egito e capelas sistinas?

No meu ponto de vista a tecnologia atrapalhou tudo, fez um alvoroço total. Crianças crescem assistindo televisão, desenhos animados onde só há violência e ganância ou ficam horas entretendo-se com jogos no computador e vídeo game. A televisão não as ensina a pensar e questionar, pois apresentam tudo pronto e mastigado. Aperta o ON, senta em frente à TV, pega um refrigerante, e assim passa a manhã toda.

Aumentam os casos de obesidade no mundo e o número de pessoas que fazem terapia: É tudo culpa da tecnologia que não deixa mais as pessoas saírem de casa, caminhar, sentar e levantar, ou seja, gastar energia, muito menos pensar. Toda criança agora deu para ser hiper ativa. Eu desconfio que de tanto tempo sem fazer nada, ela acaba ficando agitada demais uma hora ou outra. E as pessoas com problemas de depressão: Quando o lado intelectual e o cérebro não trabalham o que deveria, acaba deixando espaço para pensamentos ruins aparecerem.

Porque gastamos horas na academia correndo na esteira, e estica aqui e levanta um peso acolá. Às vezes me parece que isso não faz sentido nenhum. Eu lá levantando alteres, contando, um, dois, três. Depois vem a outra sequência. Aposto que os caras que construíram as pirâmides não precisaram de academia. O cara lá de cima nos deu habilidades e corpos saudáveis para alcançarmos o céu, criarmos maravilhas inimagináveis e ajudar quem precisa usando nossa energia física e capacidade intelectual. Parece que, com a tecnologia, usamos o mínimo de nosso potencial, ficamos a maioria do tempo em stand by. Por isso, saia com este palm daqui senão eu atiro pela janela.

sábado, 16 de maio de 2009

Para sempre mãe




Morei seis anos fora de Uruguaiana, me formei em jornalismo e retornei para a fronteira, e voltei a morar com a minha mãe. Fazia muito tempo que não sabia o que era dar satisfações quando chegava tarde de uma festa, não poder escolher a localização dos enfeites da sala, nem abdicar de ir ao supermercado e não escolher, assim, o que comprar. No início eu achava tudo muito estranho, não poder pendurar o espelho grande de madeira envernizada no corredor da casa porque minha mãe decidira que não, ter que ser simpática com a faxineira que ela contratara a meu contragosto. Eu perdera, de fato, meu poder de decisão.



Não era mais uma criança ou adolescente, eram duas mulheres com seus desejos, angústias, memórias, projetos, vitórias e manias frente a frente, vivendo sob o mesmo teto e disputando, de uma certa forma o seu espaço. Na verdade, logo me dei conta que não poderia reinar na casa da minha mãe e notei que no lugar de disputar poder com gente grande era melhor deixar passar, pois eram detalhes pequenos. Eu percebi que ela era a autoridade em casa e eu, uma simples filha.



E passados alguns meses me acostumei rapidíssimo da condição de filha e até aceitei aquele carinho nas costas que ela fazia quando eu era criança e do qual eu tanto gostava. Passei a adorar a faxineira e simpatizar com a marca de pasta de dente que minha mãe comprava. Quando estava preocupada com alguma questão do trabalho e precisando de um abraço, recebia um bem gostoso e cheio de amor da minha mãe.



Sei que nem todas as mães são iguais, umas são mais secas, outras mais melosas, umas mais sérias, outras mais engraçadas. Mas uma característica todas elas têm em comum: Não resistem em exercer o seu papel de mãe. Minha avó, por exemplo, esquece de tomar seu remédio do olho esquerdo frequentemente, mas não esquece de ser mãe. Ela faz o suco preferido do meu tio sempre que ele passa mal do estômago. E prepara do jeito que ele gosta, com uma colher de açúcar cristal. A mãe do meu ex-namorado costurou o terno e deixou-o estendido na cama do quarto dele para que ele tivesse o que vestir na festa. A mãe do meu padrasto percorreu mais de 600 quilômetros para visitá-lo em Uruguaiana e matar a saudade do filho. Tudo isso pelo amor incondicional que todas elas possuem.



Se um dia eu sair da casa da minha mãe, mesmo tendo meu emprego, marido e até meus filhos, eu vou adorar visitá-la e exercer meu papel. Porque elas amam ser eternamente mães, e nós amamos mais ainda sermos filhas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Aprendendo

Daí eu ando e tropeço

Daí eu falo e exagero

Daí eu decido e me precipito

Daí eu choro e alivio

Daí eu escuto e não gosto

Daí eu deixo e me arrependo

Daí eu vou em frente e recuo

Daí eu me machuco e sofro

Daí eu penso e compreendo

Daí eu ando e sigo

Daí eu vivo e cresço

Daí eu mudo e fortaleço

Daí acho a sintonia perfeita

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Curriculum Vitae

O mercado de trabalho está ficando cada vez mais competitivo. Antigamente quem conquistava um diploma garantia um lugar ao céu, hoje que possui um diploma tem um lugar na fila para entrevista de emprego atrás, muitas vezes, de mais de mil pessoas.
- Priscila Almeida.
- Sou eu.
- Porque você quer este emprego?
Nessas horas meu estômago dava uma giro de 360 graus no interior de minha barriga.
Mas o pior é quando perguntavam:
- O que você gosta de fazer no tempo livre?
- Mmmmm, ler livros. (Que cara-de-pau eu sou!)
E acreditem, teve uma psicóloga que me perguntou se eu tinha namorado e o porquê de eu namorar com ele.
É claro que há respostas por trás destas perguntas que elas querem saber, que não são tão explícitas quanto parecem.
- Estou cursando jornalismo para entrevistar, e não ser entrevistada, queridinha, eu pensava.
- Quero este estágio para ter experiência, senão eu me formo sabendo só aquela teoria superficial da faculdade, “tá ligada”? Ah, também preciso do estágio para tirar uma graninha extra para ir ao cinema nos finais de semana.
É claro que eu não disse nada disso, mas como minto mal, passava por diversas entrevistas até achar alguém que não fazia tantas perguntas imbecis e me contratasse.
“O trabalho enobrece”, já dizia o ditado. E acredito que este seja universal. Trabalhando nos sentimos úteis, nos distraímos de nossos problemas, vimos o quanto somos capazes, nos desafiamos, crescemos e ganhamos o nosso próprio dinheiro. Sem precisar pedir ajuda para pai, mãe, irmão, vizinho ou dar explicação a alguém. Essa, eu diria que é a melhor parte. A liberdade que ganhar seu próprio ganha-pão lhe dá.
- Vamos viajar no feriadão?
- Vamos.
- Com o teu carro ou o meu.
- Tanto faz.

sábado, 25 de abril de 2009

Um

De gostosa à gorda

um quilo

De amiga à inimiga

um homem

De triste a alegre

um carinho

De ridícula à sensata

um pensamento

De doce à amarga

um ponto de vista

De esperta à burra

um copo de cerveja

De amor ao ódio

uma palavra

Do interesse ao desânimo

um silêncio

Da vida à morte

um minuto.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pisando na merda


- Niceee, pisei na merda.

- Hahahahahahahaha, limpa ali na grama.

E lá estava eu friccionando minhas sandálias prateadas no canteiro na frente da casa de Nice.

- Olhe só como a minha noite está começando, eu disse.

Mal eu sabia que muito estava por vir. Entramos no carro e o irmão da Nice nos levou para a balada.

Três copos de cerveja foram suficiente para meu psicológico remexer e eu ficar um pouco nostálgica e com a sensação de não saber meu papel no mundo, meu propósito no Planeta Terra.

Bato um papo cabeça com Nice no banco do banheiro, enquanto eu me recupero de meus fanstamas sentimentais, ou melhor, do álcool.

Saio do banheiro e vejo logo em frente no bar, o menino que ando saindo. Quase dois metros de altura, olhos azuis e grandes, magro, bem vestido, simpático, inteligente.

"Vou fazer que nem vi ele, afinal ontem e hoje ele disse que iríamos sair e nada, sumiu do mapa. Ora, mesmo um pouco bêbada, sei meu valor", penso.

Vamos para pista de dança e penso que em instantes o gatinho se deslocará do bar para lá.

Tunti , tunti, tunti, tunti, tunti...

Nice, seu irmão e amigos estão animados, não posso dizer o mesmo infelizmente. Mas tento ao máximo parecer que estou bem com o fato de ter sido enrolada há dois dias pelo broto.

"Changes in my life..." "Infinity, Infinity..." E a música toca e as luzes se acendem e apagam, fazendo a pista ferver e o pessoal dança freneticamente.

De repente olho para o lado e lá está a cena da noite, meu rolo aos beijos com a ex namorada dele. Que lindo! O amor é lindo! Só o que não foi nada linda foi minha auto estima naquela hora, minha garganta arranhava palavras de ódio. Porque fui tão idiota em acreditar em alguém que mal conhecia!

"You are hot and you are cold, you are yes and you are no..." e a música segue, meus amigos dançam, o Paulo faz coreografias engraçadas.

E me recordo, então de como a minha noite começou e logo me dou conta que não tinha como acabar diferente.