terça-feira, 18 de maio de 2010

Despida


No blog eu me dispo
E meus sentimentos são revelados à luz das palavras.

Alves Almeida

Às vezes acordo debochada
vaidosa e maliciosa

Às vezes acordo um pouco na minha
querendo trabalhar, sem tempo pra conversa

Às vezes acordo carinhosa,
querendo mostrar o amor que tenho

Às vezes acordo calma, diplomática
Sem gritarias, com carisma

Às vezes acordo mais corajosa
Um pouco mais rápida do que costume

Às vezes acordo racional e sentimental,
embora fechada

Às vezes acordo com TPM
Sem saco pra falar de manhã

Às vezes acordo musical,
com franqueza e seriedade

Às vezes acordo braba,
indignada e solidária

Às vezes acordo Alves, noutras, Almeida.

sábado, 20 de março de 2010

Opostos dispostos

Ele gosta de música sertaneja

Eu gosto de samba-rock

Ele gosta de quindim

Eu gosto de chocolate

Ele gosta de chimarrão

Eu gosto de água sem gás

Ele gosta do campo

Eu gosto da cidade

Ele gosta de dormir cedo

Eu gosto de dormir tarde

Ele gosta de mim

Eu gosto dele.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aprendiz


A minha geração, dos anos 80, acompanhou de perto a transição do sinal analógico ao digital. Eu tinha vários discos de vinil quando criança. Lembro de como era trabalhoso para mim trocar de música, pois tinha que colocar bem em cima da lista. Mas adorava as capas dos discos gigantes, com fotos e pôsters dos artistas dentro das mesmas. Na adolescência, comecei a mexer na internet. Nunca vou me esquecer da felicidade dos primeiros e-mails recebidos, das salas de bate-papo, do ICQ. O primeiro celular chegou quase junto, era um Nokia preto, maior e mais pesado dos de hoje em dia.

Agora, já adulta, vejo a tecnologia avançar. Já estamos na era da TV e rádio Digital, do MP3, do touchscreen e blue tooth. E é certo que temos que acompanhar estas mudanças. É tão ruim não se sentir parte do mundo, não acompanhar as novidades. Aí que entra nossa eterna capacidade de aprender. Para mim, esta é uma das coisas mais extraordinárias que existem. A tecnologia pode avançar, as teorias e técnicas, mas nós, sempre poderemos aprender por mais velhos que sejamos.

Um dia perguntei com que idade minha médica tinha se formado, ela contou que tinha se formado após os 40 anos. A vó de um conhecido fez curso de datilografia depois dos 70 anos. Minha melhor professora de inglês trabalhou em um laboratório com ratos por anos, antes de aprender a ensinar línguas. Há uma infinidade de cursos de alfabetização para adultos e de informática para a terceira idade. Talvez, o esforço para aprender seja um pouco maior, mas que acabamos aprendemos, ah, isso não tem com o negar. Agora, com licença, vou ali tocar violão (que aprendi depois dos 20 anos).


- Na foto, uma senhora de 83 anos jogando baseball no videogame Wii da Nintendo.

Eternos Mistérios


Assim como o mar e os planetas, há certas coisas que sempre serão mistério para mim. Como as pessoas conseguem ficar casadas com a mesma pessoa por mais de 10 anos. Por que o Brasil nunca tem dinheiro para, por exemplo, aumentar o salário mínimo e tem para encher meias e cuecas de políticos e bancar sacanagens no poder. Outra questão que me intriga são as chuvas incessantes e enchentes que o El Niño provoca, se isso tem relação com o aquecimento global ou não.

Eu sou romântica. Acho lindo ver casais idosos na rua que dividem o mesmo teto por muito tempo. No entanto, não consigo entender como certos relacionamentos dão tão certo apos muitos anos. E tão bom dormir atravessada na cama, paquerar, poder ir onde quer a hora que quer. Num relacionamento sério, me parece que um outro tem que estar sempre cedendo, sendo tolerante e muitas vezes deixando seus desejos de lado em prol do “bem comum”.

Li vários textos na internet relacionados ao El Niño, todos nos já estamos cansados de saber que ele e um fenômeno da natureza que ocorre de tempos em tempos. Se trata do aquecimento das águas do Oceano Pacifico, o qual desregula o clima em diversas regiões do Planeta. Os pesquisadores ainda não descobriram se o aquecimento global ajuda a deixar o El Niño mais violento. Mesmo sem saber, é bom acreditar que sim, e cuidar do meio ambiente antes de conclusões científicas tardias.

O Brasil, ah, o Brasil, país muito rico e maravilhoso. Os gringos ficam espantados com a nossa biodiversidade, beleza e carnaval. Os políticos. Estes prefiro nem comentar. A mídia já o faz diariamente, mostrando as roubalheiras que ocorrem no alto escalão do Governo. O salário mínimo aumentou para 510 reais. A notícia foi estampada nas capas de jornais como uma vitória, eu senti vergonha. Foi rir para não chorar. Foi pensar nos mistérios do mar e dos planetas para não fazer das manchetes picadinho.






quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hora de se comprometer


Já faz duas semanas que começou 2010 e ando ainda com espírito de ano novo. Por outro lado, meu amigo Bruno disse que ele acha que ficará escrevendo a data errada até agosto. Acertando ou não a data no papel, para mim é tempo de vida nova, projetos novos, cabelo novo. Até eu me sinto melhor, mais motivada, mais alegre, mais a fim de sair de casa ainda contaminada com as boas energias (não o álcool) do réveillon.

Esses dias, arrumei o guarda-roupa, joguei tudo na cama e comecei a dobrar as blusas, shorts e camisetas de verão. Deixei ao lado outras para doar. Além disso, separei uma saia jeans que ganhei com a numeração errada e que estou há anos para levar na costureira e também aquele óculos que quero mandar arrumar há muito tempo. Joguei fora papéis com anotações antigas e inúteis e fiz uma lista de projetos pessoais para serem realizados este ano. Segundo minha amiga Ane devo deixar a lista gravada na Área de Trabalho do meu computador e abri-la todos os dias.

Na virada do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro, as pessoas pensam nos seus planos, relembram o ano que passou e sonham com o que está por vir. Eu pelo menos, sempre fiz mais ou menos assim, entre uma colherada de lentilha e outra. Passada uma semana, já me esquecia de todos meus sonhos e ia andando conforme a carruagem. Na realidade, sempre tive medo de planejar demais a vida e acabar me frustrando se as coisas não acontecessem conforme o esperado. Mas em 2010 resolvo ser mais ousada, correr riscos e a lista de projetos pessoais gravada no meu Desktop, irei ler frequentemente. Afinal, é preciso se comprometer com nossos sonhos depois das sete ondinhas.

Quero amar


Eu quero um amor que transcenda os desejos carnais, o que se pode ver

Eu quero um amor que eu possa confiar, que tenha a mesma visao que eu tenho do ceu e do mar

Eu quero um amor que me eleve espiritualmente, me de forcas que eu nunca vira em mim

Eu quero um amor que brinque, que cante, que ria comigo

Eu quero um amor nada contido, um pouco ciumento, um amor amigo

Eu quero um amor sincero, um amor sonhador, um amor, verdadeiro amor.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal: Dia da família e da aceitação


Eu não entendo quando as pessoas vêm reclamar das festividades de Natal. Uns alegam que acham nada a ver passar o Natal com a família se durante o ano mal se vêem. Outros acham enorme falsidade passar esta data ao lado de pessoas que brigam e discutem o ano inteiro.

Na realidade, eu sempre gostei de Natal. Em primeiro lugar, eu adoro encontrar os familiares, ainda mais em momento festivo. Dar e receber muitos presentes, abraçar e desejar um bom natal a todos. Rever aquele primo distante e bonito que não tenho muito contato, fofocar com a prima querida. Depois tem a comida. Lá na tia Belquis sempre é uma fartura, várias guloseimas deliciosas. Peru, fricassê, salpicão, saladas e doces de dar água na boca.

Se você não vê há tempos os familiares, essa é a hora de ver, de contar as novidades, relembrar os velhos tempos, conhecer a criançada que surgiu no momento que você esteve longe. Lembrar que eles são importantes para você, mesmo estando longe, pois são suas raízes.

Se não gostar muito ou estiver de mal com alguém que esteja por lá, paciência. Família é assim mesmo. Temos que enfiar goela abaixo, afinal, não escolhemos ser do mesmo sangue. É o que nos foi traçado. Simplesmente aconteceu. É a data da aceitação, do perdão e do amor. Aceitar a nossa vida com ela é, nossos parentes com os defeitos que eles têm e abraçar sim todos eles na meia-noite. Por que a vida nem ninguém é perfeito. (Perfeito, apenas o chester que minha mãe faz no Natal com creme de ameixa, farofa e pêssego para acompanhar).

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Floresta de Macacos


Nunca entendia essa visão que outros países tinham de que nosso país é livre, selvagem, como se fosse uma enorme floresta onde tudo é permitido. Depois de conhecer o sistema de trânsito nas cidades canadenses e voltar para cá, acabei entendendo. Por lá, pedestre, por exemplo, não atravessa a rua em qualquer lugar, é apenas na faixa de segurança e quando o sinal está verde para ele. Mesmo que não venha carro algum ou algum agente de trânsito à vista, ele espera o sinal abrir. É inacreditável.

Há uma faixa de pedestre bem pintada e visível e semáforos para veículos e pedestres a casa esquina. Você, brasileirinho malandro, tente atravessar no meio da rua fora da faixa. Levará uma multa de cerca de 100 dólares. Mas você não fará isso, porque ninguém faz, iria chamar muita a atenção, seria constrangedor. Para não forçar o pedestre somente atravessar nas esquinas, há faixas no meio das ruas sem sinaleira alguma, apenas uma luz ao alto piscando para lembrar os carros de que ali a preferência é de quem está a pé. Eles parecem não esquecer disso nunca e reduzem a velocidade muito antes de chegar perto da faixa.

Essa organização e educação me assustavam um pouco, confundia com frieza e controle, pois no meu país, a Pátria amada e Mãe gentil, é permitido atravessar a rua em qualquer altura da calçada, “os carros que parem, eu sou preferência em qualquer situação”. Assim devem pensar os motociclistas quando ultrapassam pela direita e não respeitam os automóveis que estão na preferencial, dobrando rapidinho ou cortando a rua de fininho enquanto o carro vem em sua direção.

Os condutores aqui parecem disputar espaço com os pedestres – não é à toa, quando nenhum deles sabe seus limites e não contam com razoável sinalização e fiscalização. Ainda tem os motociclistas e ciclistas, tudo amontoado, cada um lutando pelo seu espaço, onde a pressa de cada um está acima da vida. É uma verdadeira selva, onde animais brigam pela comida sem regra e sem lei. Mas, nessa luta incansável ninguém vence. O que se vê é a perda diária de vidas de pessoas que não tem nada que ver com esta floresta de macacos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Papai Noel da Fronteira?


Não, este não é papai noel da Fronteira, é apenas um uruguaianense que me chamou a atenção na tarde de ontem. Tirei uma foto dele sem saber, e depois, aos risos, pedi para tirar uma a ele, que fez até pose.

- O sr. é roqueiro??

- Não.

- Mas porque este cabelo comprido?

- Porque gosto. E sabe com o que eu lavo? Com sabão em barra de côco. Fica um brilho só. Hoje ainda não, mas amanhã...

- O sr. não tem nenhum ídolo em quem se inspirou?

- Sim, um roqueiro uruguaio.

Ah, agora sim, pensei.

O motorista aposentado ainda me disse que adora amarelo (cor de seu carro e sua casa) e que adora mulher de lingerie rosa. Uma simpatia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Tudo obra do “Menino Jesus”


Casas, escolas, hospitais destelhados e alagados, milhares de famílias com os pertences danificados e moradias destruídas, árvores atiradas ao chão pelos ventos de mais de 100 Km/hora. Sabe de quem isso é obra? Do “Menino Jesus”. Não, não estou louca nem ingeri bebida alcoólica antes de escrever este texto. Este é o significado do nome dado ao fenômeno que está atingindo com muita força a região Sul do país no final deste ano, o El Niño.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, que ocorre a cada quatro ou cinco anos e afeta o clima em todo o mundo. Pode gerar tempestades de neve, enchentes e secas dependendo do local.

Será que Jesus, filho de Deus, criador do universo, tem mesmo relação com o El Niño? Fiquei me perguntando se estes desequilíbrios da natureza acontecem por forças do além ou conseqüência do aquecimento global. Verificando que o fenômeno foi batizado de “Menino Jesus” por pescadores da América do Sul no século XIX, apenas porque os mesmos perceberam que o fenômeno se intensificava na época do Natal, descartei a primeira hipótese.

Pesquisando na internet acabei não achando uma resposta conclusiva sobre a relação do El Niño com o aquecimento global. As opiniões se dividem. Segundo a diretora da Agência Nacional e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), Michelle L'Heureux, não há evidências de que a incidência do El Niño possa estar sendo reforçada pelo aquecimento global. Já pesquisadores sul-coreanos acreditam que o aquecimento global pode mudar a dinâmica do El Niño, tornando-o cinco vezes mais comum.

Nessas horas discordo daquela frase da música dos Engenheiros do Hawaii: “a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza”. Quanto mais conhecimento e informações corretas tivermos sobre o que realmente está acontecendo com nosso clima, poderemos agir, inclusive antecipadamente, para que famílias não percam seus pertences, suas tranqüilidade e, principalmente suas vidas.

* A BBC Brasil veiculou notícia em julho deste ano de prognóstico da NOAA sobre a ocorrência do El Niño no sul do Brasil entre novembro de 2009 e fevereiro de 2010. Será que nossos governantes leram a notícia? Se não leram estão desinformados. Se leram, pior ainda, pois poderiam ter se antecipado ao caos que estamos vivendo em nosso Estado.

Saiba como funciona o El Niño:


http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/afp/2009/08/13/ult4541u79.jhtm

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Textos

Oi pessoal, só para esclarecer, as crônicas que tenho postado aqui que são veiculadas no jornal Tribuna são, em alguns casos, artigos, comentários, resenhas. Ou seja, outras formas de texto.


Abraço a todos!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dezembro: o lado ruim de Porto Alegre


Voltei há pouco mais de um ano de Porto Alegre, onde morei seis anos na época da faculdade. Volta e meia me pego recordando da capital gaúcha, a qual eu aprendi a gostar e amar aos poucos, enquanto ia conhecendo os milhares de lugares e pessoas especiais. Até hoje telefono para amigas que fiz por lá, amizades que guardo no fundo do peito, pois estas sim conheceram, a Priscila como ela é, não a filha do fulano, neta do ciclano, a que estudou em tal colégio ou aquela que dançava jazz em tal lugar.
Para ser sincera, eu lembro quase todos os dias desde que voltei para cá da minha vida em Porto Alegre, momentos de descobertas, estudos, crescimento, divertimento, quebra de paradigmas, um mergulho num mundo novo, totalmente desconhecido até então. Muitas vezes eu resmungo que tenho saudade das festas de lá, dos amigos, do burburinho, dos eventos culturais e sociais que preenchem aquela cidade e enchiam minha cabeça de criatividade e minha mente de pensamentos.
Mas de uma coisa eu não tenho saudade de lá, do mês de dezembro. Além do clima quente, a cidade ficava mais vazia e violenta. Época de natal sabe como é, todos querem garantir um presente para a família, é claro. Inclusive quem não tem condições de comprar algo. Recordo que me sentia insegura ao andar pelos shoppings e ruas porto-alegrenses neste mês. Os jornais estampavam notícias e fotos sobre assalto a bancos, joalherias e outros setores do comércio. Com certeza a cidade ficava mais violenta que no resto do ano.
E este sentimento de insegurança se misturava ao sentimentalismo que recai sobre nós nestas datas comemorativas. Tudo isso, mais a vontade de mudar esta situação de diferença social de nosso país, que faz com que os menos favorecidos apelem para assaltos e violência. Realmente o mês de dezembro na capital era tenebroso. Já os outros, eu guardo com enorme saudade e maravilhosas lembranças.

Entrevista

Oi pessoal, segue abaixo uma entrevista que fiz com a primeira sex personal trainer do Brasdil para o jornal Tribuna:


O Jornal Tribuna entrevistou Rita Ma Rostirolla, que realizará cursos sobre performance sexual feminina, entre outros assuntos de 24 a 26 deste mês em Uruguaiana. A seguir, você poderá entender um pouco mais sobre os mistérios da sexualidade dos casais do século XXI, através das palavras da primeira sex personal trainer do país, que atua há mais de 10 anos na área, realizando palestras e cursos em todo o Brasil.


Jornal Tribuna - O que levou você a seguir esta profissão?


Rita - Foi sem querer, pois costumava dar dicas e toques para amigas e conhecidas sobre postura, dança e comportamento com os homens. Fazia tanto sucesso entre elas que mulheres de outras cidades começaram a formar pequenos grupos e me chamar pra ensiná-las a fazer strip-tease para seus maridos. O que era uma brincadeira, com o passar do tempo virou uma profissão, sou considerada a primeira sex personal trainer do Brasil.

JT - O sexo atualmente está mais explícito na mídia. Você acredita que dentro de casa o sexo mudou muito também?

Rita - Não acredito que esteja mais explícito dentro de casa, porém os casais estão mais abertos e preocupados em melhorar sua intimidade, o que é um sinal muito positivo. Hoje, com toda essa informação, tanto homens como mulheres podem tirar proveito para aprimorarem sua performance, porém tem o lado negativo com a banalização com que o sexo tem sido encarado muito na mídia, causando danos muitas vezes irreparáveis numa relação.

JT - Direitos sexuais de homens e mulheres sempre foram distintos. Você acredita que as mulheres avançaram em relação à liberdade sexual de uns anos pra cá? Por quê?


Rita - Com certeza sim. Nesses 13 anos de trabalho a mudança é sensível no comportamento das alunas. Há uma década a maioria das mulheres que me procurava era casada e queria aprimorar suas técnicas para satisfazer mais "seu parceiro", ou algumas para tentar "salvar "seus casamentos, poucas iam por causa própria. Hoje o número de casadas ainda é grande, mas muitas mulheres trazem suas filhas ainda virgens para as palestras, mulheres maduras, divorciadas, viúvas ou numa nova relação também me procuram com frequência e cada vez mais mulheres jovens e solteiras fazem parte desse grupo, e quer saber o por quê? Porque estão preocupadas com o seu prazer e não o prazer do parceiro. A mulher está voltada pra ela, o que é muito bom para os homens, pois uma mulher mais independente, bem resolvida e feliz com seu corpo, com certeza será mais desinibida entre quatro paredes.

JT - Qual é, hoje, a maior dificuldade feminina e masculina em relação à sexualidade?


Rita - As mulheres se queixam muito da dificuldade em atingir o orgasmo em alguns períodos, isso quando não é rotineiro! Também se frustram muito por não terem o retorno esperado de seus parceiros no campo afetivo.
Os homens se queixam muito da falta de vontade da parceira, da frequência sexual que poderia ser maior e muitos querem ajuda para "soltar" suas parceiras, que vem de uma criação repressora.

JT - Na sua palestra você aborda sobre o que é ser sexy. O que é ser sexy?


Rita - Ter atitude. Uma mulher com atitude é naturalmente sexy, independente de sua idade ou tipo físico. Ela se gosta do jeito que é. Mulheres geralmente confundem, acham que para ser sexy precisam ter tal peso, tal altura, idade ou cor de cabelo. As mulheres mais sensuais que conheço estão longe dos padrões de beleza que a mídia mostra e simplesmente exalam sensualidade pelos poros.

JT - Quais são as principais armas de sedução de uma mulher?

Rita - O olhar, a forma como ela movimenta seu corpo e seu cheiro.


JT - O que o um casal precisa para ter uma vida sexual satisfatória?


Rita - Se comunicar melhor. Homens precisam entender que nós, mulheres, somos auditivas e sinestésicas, ou seja, que precisamos ser ouvidas e necessitamos de toques afetuosos durante o dia para que fiquemos mais estimuladas sexualmente à noite. Mulheres precisam entender que homens são visuais, que diferente de nos, eles precisam ver e pronto! Inclua nisso, acender a luz, usar lingerie mais sexy e não aquela calcinha velha com o elástico solto! Geralmente isso vale mais que mil palavras para um homem!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Use isto ou livre-se


Quando estudei inglês no Canadá a professora canadense Vivienne comentou que quando criança aprendera algumas palavras em português. No entanto, por não conversar nesta língua, esqueceu-se da maioria do vocabulário do idioma. E avisou a nós, alunos de inglês, “Use it or leave it” (algo como “use isto ou livre-se”).

Foi nesta mesma época que eu comecei a pegar alguns livros na língua inglesa. Lembro-me do livro chamado “Rainforest”, o que para nós significa a Amazônia. O livro de fácil leitura me mostrou a diversidade encontrada naquele tipo de floresta – que existe em outras partes do mundo como Ásia, Austrália e África.

Fiquei surpresa ao saber, lá no Hemisfério Norte, que a Amazônia possui de 5 a 7 mil espécies de animais vertebrados, 15 a 20 mil espécies de plantas superiores e 1 milhão a 10 milhões de animais invertebrados. E que lá sobrevive uma população indígena de 256 mil pessoas que falam entre 170 a 180 línguas diferentes.
O mais interessante foi aprender como funciona a floresta, na qual chove praticamente todos os dias e possui um clima quente e úmido. A dificuldade para a entrada de luz pela abundância de copas faz com que a vegetação rasteira seja muito escassa na Amazônia, bem como os animais que habitam o solo e precisam desta vegetação. A maior parte da fauna amazônica é composta de animais que habitam as copas das árvores, entre 30 e 50 metros. Entre as aves da copa estão os papagaios, tucanos e pica-paus. Entre os mamíferos estão os morcegos, roedores, macacos e marsupiais.

O solo amazônico é bastante pobre, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. Apesar disso, a flora e fauna mantêm-se em virtude do estado de equilíbrio atingido pelo ecossistema. O aproveitamento de recursos é ótimo, havendo mínimo de perdas. Um exemplo claro disso está na distribuição acentuada de * micorrizas pelo solo, que garantem às raízes uma absorção rápida dos nutrientes que escorrem a partir da floresta, com as chuvas. Também forma-se no solo uma camada de decomposição de folhas, galhos e animais mortos que rapidamente são convertidos em nutrientes e aproveitados antes da **lixiviação. A diversidade de frutas e animais é gigantesca e por causa disso é que a “Rainforest” é conhecida pelos gringos como “jewels of the Earth” e “world's largest pharmacy” (Jóia da Terra e Maior Farmácia do Mundo, respectivamente).

Parece que os gringos estão mesmo interessados no assunto, 37% dos artigos científicos sobre a Região têm pelo menos um autor brasileiro. Há 20 anos, o ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, afirmou: “ao contrário do que os brasileiros acreditam a Amazônia não é prioridade deles, ela pertence a todos nós”. A Amazônia será tema da 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CPO-15) que irá ocorrer entre os dias 7 a 18 de dezembro em Copenhague neste ano.

Parece que a professora de inglês estava certa. Se nós, brasileiros, detentores da maior parte (60%) desta riqueza natural que é a Amazônia, não a utilizarmos de forma correta, através de pesquisas e combate ao desmatamento, os países desenvolvidos tomarão conta. E depois não digam que eu não avisei o ditado muito comum dos gringos: “Use it, or leave it”.


* Micorrizas – é uma associação simbiótica entre certos fungos e raízes de algumas plantas.
** Lixiviação - é o processo de extração de uma substância de sólido através da sua dissolução num líquido.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crônicas

Olá pessoal, as crônicas a seguir foram veiculadas no jornal Tribuna de Uruguaiana. Sou colaboradora do jornal desde o ano passado, quando começou a circular. Quanto às crônicas, faz seis meses que escrevo semanalmente para o jornal. Matérias jornalísticas de minha autoria também são veiculadas pelo periódico, mas ainda não são postadas aqui por se tratar de assuntos locais.

Acompanhem o blog:

http://tribunadeuruguaiana.blogspot.com

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Livro para todos os lados


Na última quinta-feira comemorou-se o Dia Nacional do Livro e na sexta-feira começou a 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Outubro é livro para todos os lados, quem sabe é hora de recordarmos nossas melhores leituras, ou até mesmo começar a ler aquele livro que há tempos estamos namorando. Lembro-me que Menino de Engenho de José Lins do Rego foi um dos primeiros livros que li na época da escola. Era encantador o modo como o autor narrava a vida simples do engenho. Quase sentia o gosto do leite que o personagem principal tomava.
Já a Feira do Livro de Porto Alegre é algo um tanto mágico para mim. Quando morava na capital na época da faculdade fazia questão de ir com minhas amigas até a feira. É delicioso visitar um evento a céu aberto na calçada da Praça da Alfândega que reúne gente de tudo que é raça, credo, cor e idade. Neste ano, a feira que segue até 15 de novembro, além dos 160 expositores desta edição, apresenta diversas atrações paralelas: a sessão de autógrafos, oficinas, mesas redondas, sessões de cinema gratuitas e comentadas, seminários, saraus. Além de atividades relacionadas ao país homenageado neste ano, a França e o Estado homenageado, Santa Catarina. Com certeza vou dar um jeito de dar um pulo até lá, mesmo que seja um “pulo” de mais de 600 km.
Até lá, ficarei recordando os momentos felizes que passei nas outras Feiras do Livro. Uma vez participei de uma palestra sobre crônicas que fazia parte da programação do evento. Os palestrantes eram os jornalistas David Coimbra, Claudia Laitano, Cristiane Finger, Paulo Santana, dentre outros. Eu não era muito fã do Paulo Santana, mas quando ele pegou o microfone, cantou, falou com emoção sobre escrever crônicas, vi o tamanho de seu carisma e potencial de comunicador. Foi muito calorosa sua explanação.
Outra vez fui até a feira com a Kathy, ela trabalhava na ala infantil do evento vestindo-se de palhaça para a menina. Após trabalhar, fomos tomar algo no Cais do Porto, ainda na área infantil. Quando ela veio com duas taças de champagne eu só tive que prestigiar o resto, o ambiente que era super descolado, com mesinhas bonitas e muita gente jovem, além do pôr-do-sol no lago Guaíba que estava ao nosso lado. No outro dia, fui sozinha correndo até a feira comprar um livro, já que no dia anterior foi só festa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia do Vai à Merda

Um dia estava falando com uma amiga pelo telefone e concordamos que hoje em dia a vida de nós, mortais, principalmente as mulheres, não é nada fácil. A gente quer ter um trabalho legal, um emprego que pague bem, quer um namorado bacana, quer também ter hobbies como andar de bicicleta até o aeroporto ou fazer pinturas em caixinhas de MDF. Queremos ter amigas animadas e que tenham tempo para a gente. Além disso, queremos estar em forma, com o cabelo bonito e as unhas feitas. Ufa! Aja tempo, dinheiro e disposição pra tudo isso. E quando não temos tudo o que mencionei acima, parece que sempre tem uma coisinha faltando. Ser humano é bicho brabo, já dizia uma senhora que trabalhava com a minha avó.
Quando nós, sexo “frágil”, conquistamos nossa independência, nunca imaginaríamos que mais trabalho teríamos ao sair de casa; afinal ser gerente de uma empresa e ter uma família para cuidar exige muito mais do que só ter filhos para criar. Fora isso, queremos estar sempre bonitas, mesmo que lá em casa o guarda-roupa esteja uma bagunça e que a gente esteja devendo no salão de beleza e que o clima com algum parente não esteja dos mais tranqüilos. Na realidade, nesses mundos modernos, parece que o mundo lá fora exige de nós cara de Monalisa eterna, mesmo quando nada vai muito bem, como se nunca pudéssemos descer do salto alto e relaxar.
Pensando nisso, eu defendo a criação do Dia do Vai à Merda. Acordou com preguiça e não sabe o que usar nos pés para ir ao trabalho, coloca aquele sapato sem salto, bem confortável, lavou o cabelo e não acha a chapinha, inventa um penteado novo ou aceita de vez esse cabelo encaracolado. Sua amiga que sempre te procura apenas quando briga com o noivo, te fazendo ouvir todas as histórias por horas, manda ela catar coquinho no asfalto. O colega de trabalho que sempre solta piadinhas inoportunas para você, fala para ele que vá cuidar daquela pança enorme. Teu namorado sai para jantar contigo e fica de papo com o amigo que está junto e a deixa em segundo plano, beija ele depois de comer aquela pizza cheia de alho e óleo.
O Dia do Vai à Merda será o dia mais feliz de todos nós. Abaixo os engomadinhos, engravatados e suas maletas. Fora as poses, o exibicionismo e o gel. A vida é muito curta para levarmos ela tão a sério.

O realismo estampado num filme


Há filmes que não são de todo bons nem ótimos, mas que valem a pena serem assistidos, seja pelos seus diretores, sua fotografia, trilha sonora ou atores. Para mim, se algum desses ingredientes mandar bem na película, já está valendo. Mas não foi bem isso que aconteceu quando assisti “Margot e o Casamento” do diretor Noah Baumbach (2007).
Durante os 95 minutos do longa-metragem, era difícil se familiarizar com aqueles personagens frustrados, aqueles adultos inseguros e infantis. Ao longo da trama, ia me dando conta que o que dizia na sinopse, atrás da capa do DVD, não tinha nada a ver com o que imaginara. Quando aluguei “Margot e o Casamento” achei que o filme contaria, de uma forma doce e prazerosa, a relação de duas irmãs que não se viam há tempos. Que nada, que erro.
Duas irmãs se reencontrarem na casa onde moraram quando crianças e que uma delas morava atualmente com o futuro marido. Ambas se dão bem em partes. Quando Margot (Nicole Kidman) está a sós com seu filho (Zane Pais), fala mal da irmã e dedura a mesma ao adolescente. O futuro marido de Pauline, Malcolm (Jack Black) é um artista frustrado, que não sabe o que quer da vida e parece mais uma criança sonhadora. Pauline (Jennifer Jason Leigh), por sua vez, é insegura e fica incomodada com os comentários maldosos da irmã sobre seu futuro casório. E assim, o filme se desenrola mostrando o relacionamento entre familiares.
A cena que mais me chamou a atenção é quando Margot critica gratuitamente seu companheiro filho, fazendo-o chorar. Noutra cena, mais adiante, a mesma diz que naquele momento em que o criticou nunca havia o amado tanto.
O filme não era nada do que eu pensava, tampouco algo doce e prazeroso. Mas segui até o final, vendo Kidman num personagem nada glamourioso como os de costume. Sua personagem é uma escritora controladora e neurótica.
“Margot e o Casamento” mostra a condição humana, as fraquezas de um modo nada dramatizado. As relações familiares tais quais elas são, com seus altos e baixos. Num dia-a-dia que mal percebem o quanto se amam. E foi exatamente isso que achei interessante na película, a sua realidade exacerbada. Tudo tão verdadeiro, quando a arte realmente imita a vida.

O prazer de “cronicar”

Vou confessar a você, que há dias que ando inspirada, seja por algum acontecimento que me comoveu ou algum fato sobre nosso país que me instigue a falar ou questionar. No entanto, há outros que a gente não tem nenhuma opinião formada sobre algo realmente interessante. Mesmo assim, escrever uma crônica sempre é prazeroso.

Quando não tenho um tema em mente, abro o Microsoft Word ou pego minha caneta e papel, e logo as palavras começam a surgir, a opinião, de repente, dá lugar a um vácuo que parecia existir. O texto logo preenche o branco do papel, e os sentimentos, sejam eles, de nostalgia, amor, decepção, dúvida ou entusiasmo vêm à tona. Tudo começa a fluir num instante único.

Crônica, segundo o dicionário, “é um tipo de texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal”. A crônica, diferente de uma matéria jornalística, nem sempre trata de um fato, e quando o faz, mostra, mesmo que implicitamente, a opinião do autor. Não há regras, e sim, muita criatividade e estórias.

Foi na época do colégio que li a primeira crônica. Era da escritora Martha Medeiros, uma perita na arte de redigir sobre questões do cotidiano de uma forma envolvente. Em seguida, conheci os textos de Paulo Santana, Luiz Fernando Veríssimo e David Coimbra. E depois as do Jabor, Diogo Mainardi e Lia Luft. Cada um com seu estilo, seu jeito de abordar o tema e sua forma de prender o leitor.

Não está no Aurélio, mas crônica para mim, é uma forma de me expressar, de dividir questionamentos, vivências e opiniões. É na crônica que o leitor, de uma maneira ou de outra se percebe, se rebela, se esclarece, se questiona ou se emociona. Fico imaginando o leitor lendo e rindo, questionando, crescendo ou até chorando. Tantas emoções que umas pequenas linhas podem suscitar.

Uma vez me falaram que me exponho muito em minhas crônicas. Nem liguei, porque sei que esse é o (ínfimo) preço dessa atividade maravilhosa de “cronicar”.