
No blog eu me dispo
E meus sentimentos são revelados à luz das palavras.
Este é um espaço para eu falar o que eu quiser. Você poderá discutir, refletir, sonhar, pensar, relativizar, questionar, defender suas idéias e sentimentos ou então contrariá-los. Desembaraçando...
A minha geração, dos anos 80, acompanhou de perto a transição do sinal analógico ao digital. Eu tinha vários discos de vinil quando criança. Lembro de como era trabalhoso para mim trocar de música, pois tinha que colocar bem em cima da lista. Mas adorava as capas dos discos gigantes, com fotos e pôsters dos artistas dentro das mesmas. Na adolescência, comecei a mexer na internet. Nunca vou me esquecer da felicidade dos primeiros e-mails recebidos, das salas de bate-papo, do ICQ. O primeiro celular chegou quase junto, era um Nokia preto, maior e mais pesado dos de hoje em dia.
Agora, já adulta, vejo a tecnologia avançar. Já estamos na era da TV e rádio Digital, do MP3, do touchscreen e blue tooth. E é certo que temos que acompanhar estas mudanças. É tão ruim não se sentir parte do mundo, não acompanhar as novidades. Aí que entra nossa eterna capacidade de aprender. Para mim, esta é uma das coisas mais extraordinárias que existem. A tecnologia pode avançar, as teorias e técnicas, mas nós, sempre poderemos aprender por mais velhos que sejamos.
Um dia perguntei com que idade minha médica tinha se formado, ela contou que tinha se formado após os 40 anos. A vó de um conhecido fez curso de datilografia depois dos 70 anos. Minha melhor professora de inglês trabalhou em um laboratório com ratos por anos, antes de aprender a ensinar línguas. Há uma infinidade de cursos de alfabetização para adultos e de informática para a terceira idade. Talvez, o esforço para aprender seja um pouco maior, mas que acabamos aprendemos, ah, isso não tem com o negar. Agora, com licença, vou ali tocar violão (que aprendi depois dos 20 anos).
- Na foto, uma senhora de 83 anos jogando baseball no videogame Wii da Nintendo.

Eu sou romântica. Acho lindo ver casais idosos na rua que dividem o mesmo teto por muito tempo. No entanto, não consigo entender como certos relacionamentos dão tão certo apos muitos anos. E tão bom dormir atravessada na cama, paquerar, poder ir onde quer a hora que quer. Num relacionamento sério, me parece que um outro tem que estar sempre cedendo, sendo tolerante e muitas vezes deixando seus desejos de lado em prol do “bem comum”.
Li vários textos na internet relacionados ao El Niño, todos nos já estamos cansados de saber que ele e um fenômeno da natureza que ocorre de tempos em tempos. Se trata do aquecimento das águas do Oceano Pacifico, o qual desregula o clima em diversas regiões do Planeta. Os pesquisadores ainda não descobriram se o aquecimento global ajuda a deixar o El Niño mais violento. Mesmo sem saber, é bom acreditar que sim, e cuidar do meio ambiente antes de conclusões científicas tardias.
O Brasil, ah, o Brasil, país muito rico e maravilhoso. Os gringos ficam espantados com a nossa biodiversidade, beleza e carnaval. Os políticos. Estes prefiro nem comentar. A mídia já o faz diariamente, mostrando as roubalheiras que ocorrem no alto escalão do Governo. O salário mínimo aumentou para 510 reais. A notícia foi estampada nas capas de jornais como uma vitória, eu senti vergonha. Foi rir para não chorar. Foi pensar nos mistérios do mar e dos planetas para não fazer das manchetes picadinho.

Já faz duas semanas que começou 2010 e ando ainda com espírito de ano novo. Por outro lado, meu amigo Bruno disse que ele acha que ficará escrevendo a data errada até agosto. Acertando ou não a data no papel, para mim é tempo de vida nova, projetos novos, cabelo novo. Até eu me sinto melhor, mais motivada, mais alegre, mais a fim de sair de casa ainda contaminada com as boas energias (não o álcool) do réveillon.
Esses dias, arrumei o guarda-roupa, joguei tudo na cama e comecei a dobrar as blusas, shorts e camisetas de verão. Deixei ao lado outras para doar. Além disso, separei uma saia jeans que ganhei com a numeração errada e que estou há anos para levar na costureira e também aquele óculos que quero mandar arrumar há muito tempo. Joguei fora papéis com anotações antigas e inúteis e fiz uma lista de projetos pessoais para serem realizados este ano. Segundo minha amiga Ane devo deixar a lista gravada na Área de Trabalho do meu computador e abri-la todos os dias.
Na virada do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro, as pessoas pensam nos seus planos, relembram o ano que passou e sonham com o que está por vir. Eu pelo menos, sempre fiz mais ou menos assim, entre uma colherada de lentilha e outra. Passada uma semana, já me esquecia de todos meus sonhos e ia andando conforme a carruagem. Na realidade, sempre tive medo de planejar demais a vida e acabar me frustrando se as coisas não acontecessem conforme o esperado. Mas em 2010 resolvo ser mais ousada, correr riscos e a lista de projetos pessoais gravada no meu Desktop, irei ler frequentemente. Afinal, é preciso se comprometer com nossos sonhos depois das sete ondinhas.


Nunca entendia essa visão que outros países tinham de que nosso país é livre, selvagem, como se fosse uma enorme floresta onde tudo é permitido. Depois de conhecer o sistema de trânsito nas cidades canadenses e voltar para cá, acabei entendendo. Por lá, pedestre, por exemplo, não atravessa a rua em qualquer lugar, é apenas na faixa de segurança e quando o sinal está verde para ele. Mesmo que não venha carro algum ou algum agente de trânsito à vista, ele espera o sinal abrir. É inacreditável.
Há uma faixa de pedestre bem pintada e visível e semáforos para veículos e pedestres a casa esquina. Você, brasileirinho malandro, tente atravessar no meio da rua fora da faixa. Levará uma multa de cerca de 100 dólares. Mas você não fará isso, porque ninguém faz, iria chamar muita a atenção, seria constrangedor. Para não forçar o pedestre somente atravessar nas esquinas, há faixas no meio das ruas sem sinaleira alguma, apenas uma luz ao alto piscando para lembrar os carros de que ali a preferência é de quem está a pé. Eles parecem não esquecer disso nunca e reduzem a velocidade muito antes de chegar perto da faixa.
Essa organização e educação me assustavam um pouco, confundia com frieza e controle, pois no meu país, a Pátria amada e Mãe gentil, é permitido atravessar a rua em qualquer altura da calçada, “os carros que parem, eu sou preferência em qualquer situação”. Assim devem pensar os motociclistas quando ultrapassam pela direita e não respeitam os automóveis que estão na preferencial, dobrando rapidinho ou cortando a rua de fininho enquanto o carro vem em sua direção.
Os condutores aqui parecem disputar espaço com os pedestres – não é à toa, quando nenhum deles sabe seus limites e não contam com razoável sinalização e fiscalização. Ainda tem os motociclistas e ciclistas, tudo amontoado, cada um lutando pelo seu espaço, onde a pressa de cada um está acima da vida. É uma verdadeira selva, onde animais brigam pela comida sem regra e sem lei. Mas, nessa luta incansável ninguém vence. O que se vê é a perda diária de vidas de pessoas que não tem nada que ver com esta floresta de macacos.





Quando não tenho um tema em mente, abro o Microsoft Word ou pego minha caneta e papel, e logo as palavras começam a surgir, a opinião, de repente, dá lugar a um vácuo que parecia existir. O texto logo preenche o branco do papel, e os sentimentos, sejam eles, de nostalgia, amor, decepção, dúvida ou entusiasmo vêm à tona. Tudo começa a fluir num instante único.
Crônica, segundo o dicionário, “é um tipo de texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal”. A crônica, diferente de uma matéria jornalística, nem sempre trata de um fato, e quando o faz, mostra, mesmo que implicitamente, a opinião do autor. Não há regras, e sim, muita criatividade e estórias.
Foi na época do colégio que li a primeira crônica. Era da escritora Martha Medeiros, uma perita na arte de redigir sobre questões do cotidiano de uma forma envolvente. Em seguida, conheci os textos de Paulo Santana, Luiz Fernando Veríssimo e David Coimbra. E depois as do Jabor, Diogo Mainardi e Lia Luft. Cada um com seu estilo, seu jeito de abordar o tema e sua forma de prender o leitor.
Não está no Aurélio, mas crônica para mim, é uma forma de me expressar, de dividir questionamentos, vivências e opiniões. É na crônica que o leitor, de uma maneira ou de outra se percebe, se rebela, se esclarece, se questiona ou se emociona. Fico imaginando o leitor lendo e rindo, questionando, crescendo ou até chorando. Tantas emoções que umas pequenas linhas podem suscitar.
Uma vez me falaram que me exponho muito em minhas crônicas. Nem liguei, porque sei que esse é o (ínfimo) preço dessa atividade maravilhosa de “cronicar”.